quarta-feira, 12 de novembro de 2014

TDAH - Carta de uma mãe para a escola de seu filho


Aprovação, incentivo, aposta são estímulos inigualáveis - Na foto, Ecuador Institute Renee Teaching - Esta é uma escola inclusiva






Por Vania Mendonça 
12.novembro,2014


Depois de um ano todo de correria, apreensão, apostas, desespero, muita angústia e estresse de todos os envolvidos, recebo a solicitação de uma avaliação minha sobre meu filho de 08 anos. O primeiro pensamento que surgiu foi esse: Para mim, meu querido filho vai ser sempre o primeiro da classe! Ele é carinhoso, dedicado, tem se esforçado para atender ao que lhe é solicitado. Muitas vezes não consegue. Minha intenção sempre foi dar muito amor, companhia, dedicação... enfim... deixar ele ser criança e ir acompanhando. Mas ele não consegue responder aos resultados esperados na escola. Todos nos perguntamos o porquê. Nosso esforço (meu, dele, da família) tem sido intenso e ininterrupto, desde que começaram as evidências de que ele não estava se adaptando ao requerido na escola.

Segui tudo que me orientaram até hoje. Sempre quis o melhor pra ele e, também, atender o que a escola espera.

Procuramos aconselhamento e acompanhamento médico. Depois de contar ao médico sobre as características que meu filho estava apresentando, "lento, desatento, às vezes nervoso, pouco deprimido, pouco ansioso... e também que ele fecha todos os jogos, adora filme e assiste até o final e também gosta de fazer origami”– o doutor simplesmente riu, e disse que ele não tem TDAH, que as escolas estão empurrando os alunos para especialistas. Ele recebeu uma receita de um calmante – Pasalix -, para ficar menos ansioso. 

Empurrei a situação por um mês com o calmante, a escola não sentiu diferença e fomos procurar um outro especialista, que receitou Imipramina, pois ele continuava com baixa concentração e notas baixas. Eu acabei ficando desesperada, pois, com a Imipramina, meu filho passou a ficar sonolento o tempo todo! Teve dias em que ele dormiu o tempo todo (inclusive na aula) e a angústia dele machucava muito, pois ele queria acompanhar as aulas, ler direitinho e não conseguia. Ele não consegue acompanhar a turma e isto só o deixa ainda mais ansioso.

Teve uma avaliação de matemática em que ele errou simplesmente tudo! Quando lhe perguntei:
- Meu filho, por que isso, me explica, por que você tirou zero?

Ele respondeu:
- Era muita coisa, as perguntas eram muito grandes, eu não quis ler e acabei não fazendo!

Primeiro, fiquei muito assustada! Depois, fiquei bastante indignada, pois pareceu preguiça! Depois, tentei explicar pra ele, mais uma vez, da melhor forma, a importância de estudar, o esforço que ele precisa fazer para se dar bem na escola, o quanto precisa se empenhar. Expliquei tudo, lembrei o quanto eu o tinha ajudado nos temas e estudos e ele apresentar aquilo, me senti uma otária e depois dei uma gelada nele. Disse pra ir ao quarto e que, se precisasse de ajuda, que pedisse.

Mais tarde, de cabeça mais fria, refleti: quem de nós teria ânimo para ler (o que ele já faz com dificuldade), quando se está sob efeito de um remédio pesado, que literalmente força a relaxar (no caso dele, a ponto de dormir mais de 12 horas e, dali a pouco dormir de novo)? Lembram dos dias em que ele simplesmente deitava a cabeça sobre a mesa, em plena aula, e só acordava horas depois? Com certeza os neurônios estão em estresse, o cansaço do corpo, produzido pelo medicamento, também se estende ao mental.

Estamos chegando ao final deste ano e reforço que vou continuar investindo em meu filho, apostando em suas qualidades e tentando ajudá-lo em suas dificuldades. Gostaria muito de estabelecer uma boa parceria com a escola, a fim de unir ainda mais as nossas forças para que tudo saia bem.

Sinto que meu filho, infelizmente, já sentiu o sabor do fracasso, já sabe o que é sentir-se mal, humilhado, tendo consciência de que, em várias situações, fica aquém das expectativas, atrás dos resultados dos outros colegas. Sinto o sofrimento dele e não considero que seja por insubordinação ou teimosia. Quero ajudá-lo a encontrar motivação nos estudos (como tinha nos primeiros tempos) e sei que este interesse pode voltar caso a escola conseguir apresentar uma forma mais lúdica, menos rígida, de apresentar os conteúdos. Promover concursos, avaliações de outros tipos (em grupo, com mais tempo, de forma oral, ele sozinho em outro local, para que não se sinta ansioso). 

Neste momento não penso só no meu filho, que talvez nem seja aprovado. Minha aposta vai para todas as crianças que passam por dificuldades semelhantes. 

Eu tenho certeza que, além de meu filho se esforçar, também os adultos precisam se empenhar sempre e continuamente. Com mais tolerância, amor e compreensão que todos nós, adultos (pais e educadores) pudermos dedicar às crianças, acredito que as coisas podem ser melhores para eles.

É muito duro assistir uma criança dizer, em seu início de vida, que:
“- Eu sou burro, eu não consigo mesmo!”
“- Eu não dou para o estudo! Eu não aprendo!”
“- Sem o meu remédio, eu não funciono bem!”



Eu quero retrazer a autoconfiança para meu filho! E conto com vocês!"


O médico dele suspendeu os remédios, dizendo que não tem nada, que isso é coisa de criança dentro da sua faixa etária; pelo contrario quem precisa de acompanhamento a um especialista é a escola e talvez a família; neste momento fiquei sem palavras e ao mesmo tempo FELIZ.

A você Paulo Roberto Mendonça Gonçalves, eu, tua mãe, digo que nunca, mas nunca vou desistir de você. Sei que é capaz e vai conseguir. Já melhorou muito e vai muito mais além...  Por todas as dificuldades que passou, problemas familiares, pessoal, doenças, mudança de bairro, comunidade e de escola e várias professoras que entraram e saíram da sua classe; você, meu filho, é de tirar o chapéu, chegando quase no final do ano sem nenhuma nota C, realmente é CAMPEÃO. PARABÉNS! AMAMOS-TE MUITO! EU CONFIO EM VOCÊ  E SEMPRE CONTE COM A SUA FAMÍLIA! 


Finalizo convidando a todos a ouvir esta música da Alda Célia que, assim como eu, não tem medo de mostrar que é humana e de que ela e sua família também passam por problemas. Mas tudo, na vida, começa na família e é ali que o Amor precisa se fortalecer. Este é o link da música: http://www.vagalume.com.br/alda-celia/filho-amado.html 


Meu filho Paulo Roberto, Amamos-te Muito!














Vania Mendonça e esposo
Arcos 

Vania e seu querido filho, Paulo Roberto 



















 Marise Jalowitzki é educadora, escritora, blogueira e colunista. Palestrante Internacional, certificada pelo IFTDO - Institute of Federations of Training and Development, com sede na Virginia-USA. Especialista em Gestão de Recursos Humanos pela Fundação Getúlio Vargas. Criou e coordenou cursos de Formação de Facilitadores - níveis fundamental e master. Coordenou oficinas em congressos, eventos de desenvolvimento humano em instituições nacionais e internacionais, escolas, empresas, grupos de apoio, instituições hospitalares e religiosas por mais de duas décadas Autora de diversos livros, todos voltados ao desenvolvimento humano saudável. marisejalowitzki@gmail.com 

blogs:
www.tdahcriancasquedesafiam.blogspot.com.br


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Déficit de Atenção e Hiperatividade




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