sexta-feira, 25 de julho de 2014

O QUE É MEDICALIZAÇÃO


O debate e o esclarecimento sobre medicalização recebe maior atenção a cada dia que passa!
"A luta contra a medicalização ainda é uma luta contra-hegemônica. Seu sucesso vai depender da nossa capacidade de ampliar o debate e de conquistarmos a adesão da população".
JOSÉ GOMES TEMPORÃO
Ex-Ministro da Saúde 


http://compromissoconsciente.blogspot.com.br/2014/07/o-que-e-medicalizacao.html
divulgado em 25.julho.2014


O QUE É MEDICALIZAÇÃO

A medicalização é um fenômeno que transforma, de forma artificial, questões sociais em doenças individuais, ou seja, em problemas médicos. 

Ao fazer esse processo de "adoecimento" de ocorrências como o parto, a menopausa, a calvície, os processos característicos do desenvolvimento, ela cria um mercado para tratamentos, medicamentos e terapias. Em anos recentes, iniciativas em diversas partes do mundo têm nomeado esse fenômeno, exposto suas engrenagens e apontado suas consequências. 

Ser contra a medicalização não é ser contra medicamentos ou contra a Medicina, nem tampouco desconhecer o sofrimento de pessoas diante de situações apresentadas como "distúrbios" ou "transtornos". 

É sobretudo ser contra um processo de culpabilização de indivíduos por serem diferentes de um padrão determinado de humanidade, padrão propagado pela sociedade como um evento "natural" e "benéfico", mas que, ao final, produz mais sofrimento do que saúde; mais controle que liberdade.

"Atendo crianças que chegam através dos pais ou de escolas e quis conhecer mais sobre esse assunto. Até agora eu não achava que pudesse haver algo de errado quando um neurologista recomendava este ou aquele medicamento. As palestras me trouxeram uma reflexão importante e que me levam a pensar mais detidamente sobre a medicalização."
LIRIS FRANCISCO, Psicóloga clínica

II Seminário Internacional "A Educação Medicalizada - Dislexia, TDAH e outros supostos transtornos"
II Seminário Internacional "A Educação Medicalizada - Dislexia, TDAH e outros supostos transtornos"- São Paulo. Realizado por nove entidades, entre elas o Conselho Regional de Psicologia de São Paulo (CRP SP), e do apoio de importantes entidades como o Conselho Federal de Psicologia, o evento contou com mais de mil participantes e as presenças do ex-ministro da Saúde, José Gomes Temporão e de outros 16 palestrantes, entre eles convidados internacionais como Celia Iriart e Steven Strauss, dos Estados Unidos; Martha Shuare, da Rússia Beatriz Janin, Gisela Untoiglich, Silvia Faraone e Leon Benasayag, da Argentina; e Marcelo Vinãr, do Uruguai; e de Rosa Nunes, de Portugal. 


(...)
Droga Da Obediência - A Educação é uma das áreas nas quais o processo de medicalização gera grande preocupação. Em anos recentes verificou-se um movimento no sentido de diagnosticar crianças e jovens "agitados" e com dificuldades de aprendizagem como portadoras de supostos transtornos como TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) e dislexia. 

Supostos porque, apesar do discurso corrente que os apresenta como pontos pacíficos no mundo científico, ainda suscitam inúmeros questionamentos, pois carecem tanto de comprovação científica rigorosa como se valem de métodos e diagnósticos de validade questionável, como mostraram neurologistas, psicólogos e educadores palestrantes. 

O medicamento usualmente indicado para esses chamados transtornos é o cloridrato de metilfenidato, droga que se tornou mais conhecida do público pelo nome de um dos produtos disponíveis no mercado, Ritalina, do laboratório Novartis Biociência (o outro é o Concerta, da Janssen Cilag). 

(...)
Para a presidenta do CRP SP, Carla Biancha Angelucci, um dos desafios enfrentados por aqueles que se posicionam contra a medicalização é devolver a acusação de estarem dificultando o acesso à saúde, à educação e aos bens sociais. 

"Responder a essa questão requer que se parta do reconhecimento do sofrimento humano expresso, por exemplo, por crianças e adolescentes que não veem sentido em seu processo de escolarização. O problema posto neste seminário é repensar as construções sociais existentes e propor outras que possam atender efetivamente a população", diz.



Ler na íntegra:
http://www.crpsp.org.br/portal/comunicacao/jornal_crp/171/frames/fr_politicas_publicas.aspx

Conheça: www.medicalizacao.org.br 


Além da Carta do Mercosul e de discussões sobre o movimento STOP DSM no Brasil, houve uma compilação das produções científicas argentinas, uruguaias, brasileiras e estadunidenses sobre o tema, afirma a presidente do CRP SP, Biancha Angelucci. 



"Nosso objetivo é mostrar que a medicalização é um problema gravíssimo e que não está relacionada a uma profissão ou área da vida. Não se trata de uma luta corporativista, nem de uma questão regional: muitas profissões, em muitos lugares do mundo, estão promovendo esse debate", diz. 

Mais do que denunciar a medicalização, ela entende que o grande desafio é dar visibilidade a formas de atenção em Educação e Saúde que sejam substitutivas da lógica medicalizante. 

http://www.crpsp.org.br/portal/comunicacao/jornal_crp/169/frames/fr_nuestra.aspx 







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