sábado, 13 de agosto de 2016

TDAH - O que fazer quando a criança interrompe a conversa familiar com um assunto nada-a-ver







Por Marise Jalowitzki
13.agosto.2016
http://compromissoconsciente.blogspot.com.br/2016/08/tdah-o-que-fazer-quando-crianca.html


Uma pessoa pergunta: "O tdah fala algumas vezes assuntos que não tem nada a ver com a conversa?"
Primeiramente, preciso registrar a dor que me dá sempre que escuto ou leio alguém referir-se a uma pessoa como "um tdah", como se o rótulo fosse mais importante que a individualidade!! É muito duro isto em nossa sociedade, os adultos parecem não se dar conta do quanto estigmatizam alguém quando assim se referem. Há tantas outras habilidades, outras referencias, outras qualidades e características, comportamentos e reações, para tudo ser assim simplificado como um rótulo, de uma situação tão controversa  como é este tema, que ainda nem conseguiu comprovação científica geral se realmente uma doença mental já que nada pode ser verificado. Tudo decorre de relatos verbais de pessoas que convivem!  

Comentando sobre a pergunta:
A capacidade de "pensar em outra coisa" é inerente ao ser humano, Rosana, especialmente quando o assunto é chato ou a pessoa não está querendo mais ouvir e-ou participar. Algumas criançasmais sensíveis, independente de como foi enquadrada-diagnosticada, acaba sendo super-sincera. Ela tenta, de uma maneira gentil, dizer: "Este assunto é bem mais interessante! Vamos falar sobre isto?" Só que os adultos geralmente não entendem, acabam rindo (achando que é 'pirado') ou xingando ("cala a boca! só fala bobagem" e a criança, com o tempo, desenvolve outras maneiras de mostrar sua inquietude
Geralmente, a criança
- acaba se abstraindo cada vez mais das conversas, até se abstrair completamente, não participando mais dos assuntos. Por maisestranho que pareça, para muitas famílias, acaba sendo conveniente este silêncio, até mesmo um alívio!... se fica muito séria a abstenção, os pais (ou professores) se preocupam e a criança acaba sendo levada a um médico, por déficit de atenção... "ele parece estar sempre no mundo da lua, sabe nada de nada"... e recebe medicação para "se concentrar", sem que sequer os pais, familiares, educadores, revisem sua postura...
ou se irrita facilmente, aí, os pais se preocupam porque está agressivo (podendo bater, gritar) ... Aí os pais levam ao médico para que receba algum medicamento para tratar a agressividade... "sem causa"...

O que precisa acontecer é uma mudança nas relações familiares, em primeiro lugar, tentando a inserção dos pequenos diferentes, estimulando-0s bastante para que continuem participando das conversas, mesmo que, aparentemente, "nada-a-ver"... A mamãe pode, sorrindo, dizer: "Acho que nosso amadinho está sugerindo um outro assunto! Que tal falarmos sobre isso? Parece ser uma boa ideia!"

E, caso o tema que está sendo abordado até o momento seja sério e careça de continuidade, com tom brando e carinhoso, a mãe (ou o pai), pode dizer: "Querido, sei que este assunto é meio chatinho, mas a gente precisa terminar... daqui um pouco vamos conversar sobre isto que comentas, ok? Segura um pouco aí! Não esquece!"

Isto de "cortar" o assunto e focar em outro panorama é até mesmo uma técnica de PNL - Programação Neurolinguística para o que se chama "mudar de estado", excelente técnica para mudar o foco, especialmente em conflitos, quando a criança chora, em chatices...

A mudança na forma de como as pessoas se tratam dentro do círculo familiar, especialmente, é MUITO importante, pois entender, conhecer e respeitar o jeito de cada um é que promove a construção de uma autoestima sólida em cada componente do universo familiar. Este tema é abordado em capítulo específico no livro TDAH Crianças que Desafiam (Relações Familiares e TDAH).




E, nas escolas, necessário disseminar um projeto muito legal que já vem acontecendo em algumas instituições da Educação Infantil, chamado "Roda de Conversa", onde a criança aprende a participar, se disciplinar para aprender a ouvir os demais, onde ela é aplaudida sempre que participa quando lhe é solicitado. 

Previsto no PNAIC - Plano Nacional de Aprendizagem na Idade Certa, é meu parecer que deva ser estimulado também em todas as demais séries, tipo dinâmica de grupo (Capitulos 14, 15 e 16 do Livro TDAH Crianças que Desafiam).


Vamos valorizar o jeitinho de ser de cada um, para que não se perca a espontaneidade, a genuína capacidade de se comunicar e se fazer entender no mundo!



https://www.youtube.com/watch?v=OorZcOzNcgE 

Child In Time



Doce criança no tempo, você verá a fronteira
A fronteira que foi desenhada entre o bem e o mal
Veja um homem cego atirando ao mundo
Balas voando, levando tristeza
Se você tem sido mau, Senhor eu aposto que sim
E você não se feriu por uma bala perdida
Você deve fechar seu olhos e curvar sua cabeça
Espere o ricochete

Sweet child in time you'll see the line
The line that's drawn between the good and the bad
See the blind man shooting at the world
Bullets flying taking toll
If you've been bad, Lord I bet you have
And you've been hit by flying lead
You'd better close your eyes and bow your head
And wait for the ricochet










 Marise Jalowitzki é educadora, escritora, blogueira e colunista.Especialista em Desenvolvimento Humano, defensora de uma infância saudável, antimedicalização. Escritora, blogueira e colunista. Palestrante Internacional, certificada pelo IFTDO - Institute of Federations of Training and Development, com sede na Virginia-USA. Especialista em Gestão de Recursos Humanos pela Fundação Getúlio Vargas. Criou e coordenou cursos de Formação de Facilitadores - níveis fundamental e master. Coordenou oficinas em congressos, eventos de desenvolvimento humano em instituições nacionais e internacionais, escolas, empresas, grupos de apoio, instituições hospitalares e religiosas por mais de duas décadas Autora de diversos livros, todos voltados ao desenvolvimento humano saudável. marisejalowitzki@gmail.com 
blogs:
www.compromissoconsciente.blogspot.com.br


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Informações, esclarecimentos, denúncias, relatos e dicas práticas de como lidar 
Déficit de Atenção e Hiperatividade